Friday 20th October 2017,
Veterinário Fernando Ibanez

VACINA NACIONAL OU IMPORTADA?

admin 08/04/2016 artigos No Comments
VACINA NACIONAL OU IMPORTADA?

Tenho sido frequentemente abordado por pessoas, inclusive colegas veterinários, que afirmam veementemente que vacinas de empresas nacionais não são boas. Afirmam que recebem vários animais com a carteirinha de vacinas perfeitamente preenchida e animais com doenças cujas vacinas deveriam prevenir.

É importante considerar que a vacinação não extingue o risco do paciente desenvolver a doença que aquela vacina previne. É bem pouco provável que um animal vacinado desenvolva a enfermidade que a vacina previne mas não existe vacina 100% eficaz. De todas as formas, consideramos praticamente risco zero que um animal saudável e vacinado desenvolva a doença para a qual ele foi vacinado.

Mas então porque  vacinas falham, e especialmente as “nacionais”?

Antes de falarmos sobre as falhas vacinais, devemos considerar o conceito de vacina ética e não ética. Vacinas éticas são aquelas vendidas somente para estabelecimentos veterinários de saúde animal, ou seja, clínicas, consultórios e hospitais veterinários. Vacinas não éticas são aquelas produzidas laboratórios que permitem a venda a qualquer estabelecimento.

No Brasil, registrar uma vacina “importada” ou “nacional”, requer os mesmos procedimentos. É dizer que mesmo que uma vacina que já é consagrada fora de nosso País, para adentrá-lo e obter registro precisa passar por TODOS os testes novamente, realizados aqui no Brasil. Nossos órgãos de aprovação não admitem testes já realizados em outros países. E, por incrível que pareça, registrar um medicamento (vacina) na ANVISA, é muito mais trabalhoso no Brasil que em muitos países desenvolvidos.

Outro fator que deve ser considerado é que mesmo as vacinas ditas importadas, têm grande parte de seu manuseio e produção aqui no Brasil.

Mas então porque tanta gente fala das vacinas de laboratórios Brasileiros.

Arrisco afirmar que o problema não são as vacinas. Nossos laboratórios produziram e produzem vacinas muito bem. É com vacinas nacionais que controlamos a raiva urbana em quase todo território nacional; é com vacinas nacionais que controlamos a febre aftosa nos rebanhos do nosso país; é com vacinas nacionais que controlamos uma infinidade de doenças em seres humanos….

Acredito que a grande dificuldade esta no armazenamento e momento da aplicação das vacinas. Estabelecimentos não veterinários e despreparados para manter as vacinas podem descuidar da estocagem, manutenção da temperatura e manuseio das vacinas durante a aplicação. Se a energia acaba, por exemplo durante a noite e a temperatura da geladeira sobe, as vacinas estragam e todos os animais vacinados com aquelas doses não serão imunizados. A temperatura das geladeiras comuns não é estável nem constante e a maioria dos estabelecimentos não dispõem de termômetros dentro das geladeiras que registrem as temperaturas ao longo do tempo. Também é desconhecido para a maioria das pessoas, o fato de que a porta da geladeira tem temperatura superior á desejada para a boa conservação das vacinas; assim como que a abertura constante da geladeira pode elevar em vários graus a temperatura em seu interior.

Abordada a questão do armazenamento, não se pode deixar de abordar a questão da aplicação das vacinas. Os cães e gatos recebem durante a amamentação, massivas quantidades de anticorpos de suas mães. Esses anticorpos podem, dependendo da fase em que os animais são vacinados, inutilizar a vacina; e aquela primeira dose que seria a responsável por “despertar” o sistema imune dos filhote simplesmente não funciona e é como se não tivesse existido.

Vacinar cães que não estão em seu estado normal de saúde (com febre, diarreia, mal estar……), faz com que a resposta à vacina seja precária ou nula.

O momento e a situação em que o paciente, especialmente o filhote, é vacinado pode determinar se a vacina vai  não desencadear a resposta desejada.

Em seres humanos, nas clinicas de vacinas, ou consultórios, raramente as vacinas são aplicadas por médicos, diferentemente da medicina veterinária; entretanto, os técnicos (enfermeiros e auxiliares de enfermagem) que aplicam as vacinas nas crianças são preparados para identificar situações de alerta e têm competência para não administrarem a vacina à criança e sugerir aos pais a busca de orientação médica.

No caso da medicina veterinária, vacinas adquiridas ou aplicadas em casas de produtos veterinários podem ter sido estocadas de modo inadequado, administradas no momento inoportuno ou vendidas ao proprietário que vai transposta-las de forma inadequada e aplicar a vacina em casa. Infelizmente é possível, em vários estabelecimentos, ir com a carteirinha que será preenchida (irregularmente) pelo estabelecimento, comprar as vacinas desejadas e aplica-las em casa. Sem nenhum preparo ou exame do animal que receberá a vacina.

Como podemos ver, o laboratório onde a vacina foi produzida não é o fator mais importante para justificar a falha vacinal. Felizmente nosso sistema de registro de medicamentos é bem rigoroso e todas as vacinas produzidas em território Nacional passaram por testes e mais testes de eficácia. Tenho certeza que as falhas vacinais decorrem de erros de armazenamento, transporte e da escolha do momento de aplicar as vacinas.

 

Veterinário Fernando Ibanez

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