Monday 18th December 2017,
Veterinário Fernando Ibanez

Resolução sobre o corte de cauda em filhotes para fins estéticos

admin 11/07/2013 artigos No Comments
Resolução sobre o corte de cauda em filhotes para fins estéticos

Por – Fernando Ibañez

Recentemente, o CFMV (Conselho Federal de Medicina Veterinária) divulgou uma resolução que proíbe médicos veterinários de realizarem a caudectomia eletiva e estética em cães e gatos.
Fisiologicamente, a amputação da cauda não tem repercussão sobre o organismo dos animais. Há crendices de que a cauda tem papel importante no equilíbrio ou no movimento; entretanto observa-se que animais sem cauda comportam-se tão bem quanto os que as têm.
Se realizada com a técnica adequada, respeitando-se as características anatômicas, a técnica anestésica, o controle da dor e as técnicas operatórias, não há de se esperar nenhuma complicação.
O grande tema, que talvez tenha motivado a proibição, além da questão filosófica, que abordarei a seguir, é que, eventualmente, as cirurgias de amputação da cauda nos filhotes era realizada sem os devidos cuidados, sem anestesia e, eventualmente, por pessoas não qualificadas, ou seja, leigos (criadores ou tratadores).
Sobre a questão filosófica do tema, talvez a mais importante, há que se questinar porque as pessoas, por manter um padrão racial, submetem os animais a um procedimento cirúrgico que, mesmo de baixo risco, tem algum.
Quando desenvolvidas as raças, cada característica, natural ou artificial (desenhada pelo veterinário), tinha uma função. A cauda deveria ser cortada para evitar que durante a luta com outros animais fosse mordida ou pisoteada; ou para manter-se ereta por mais tempo, permitindo identificar o cão em meio à vegetação; as orelhas recortadas para dar ar mais sério ou agressivo, e assim por diante.
Atualmente, cada vez menos cães são usados nos eventos lúdicos de interação com outros animais; ou seja, torneios de capturas de touros, rinhas e outros esportes com cães do tipo “gladeadores” são proibidos.
Nos dias atuais, há que se refletir sobre os motivos que levam uma pessoa a ter um cão. Pode até ser um cão de trabalho, seja de guarda, pastoreio ou até mesmo um cão guia. Mas a relação homem-animal atualmente vai além de ser humano x bicho; existe interação afetiva. Policiais são “amigos” de seus cães de ronda, que, inclusive são considerados seus parceiros de trabalho. Fazendeiros orgulham-se de seus cães de pastoreio e têm com eles uma relação de afeto que vai além das pastagens.
E os cães domésticos, que vivem nas casas? Cortar-lhes a cauda, ou a orelha, seria como pedir para seu marido ou esposa, que mudasse alguma característica como as orelhas ou o nariz….. Quando uma pessoa se apaixona por outra, o faz pela pessoa; e mesmo características consideradas não belas podem ser disfarçadas pela paixão. Mais, gostos são diferentes; o que para uns é belo, para outros pode ser considerado feio.
A mesma filosofia deve ser aplicada à relação com os animais. Mais ainda, porque de modo geral as pessoas escolhem ter um animal de estimação. Ninguém tem um cão que veio inesperadamente como uma gravidez, por exemplo. Assim, ao escolher ter um animal, a pessoa está disposta e tem vontade de desenvolver uma relação com esse ser. E esta relação tem que ser suplantada pela aparência. Tem que ser regida pelas energias trocadas entre o homem, a família, e o cão. Independente da aparência, cor, tamanho do pelo, das orelhas e do rabo. Estas características foram “escolhidas” quando a pessoa decidiu tutelar aquele animal.
O que vai mudar na relação que pode ser tão bonita entre uma pessoa e um cão, se ele tem ou não cauda?

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